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Autismo: Quais as causas?

As pesquisas científicas mais recentes (incluindo grandes estudos publicados entre 2025 e 2026 em revistas como Nature Genetics e Molecular Psychiatry) confirmam que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não tem uma causa única.

O consenso atual aponta para uma interação complexa entre uma forte base genética e múltiplos fatores ambientais e biológicos que influenciam o neurodesenvolvimento.

As principais descobertas explicam os fatores que podem levar ao autismo:

1. Fatores Genéticos (A Base Principal)

A genética continua sendo o pilar mais pesado, responsável por cerca de 80% a 90% da suscetibilidade ao autismo. A ciência recente mudou o foco de procurar "o gene do autismo" para entender redes inteiras:

  • Mutações Espontâneas (De Novo): Estudos recentes reforçam que muitas mutações surgem do nada nas células reprodutivas dos pais (não são herdadas). Todos nós temos algumas dessas mutações, mas em pessoas autistas elas costumam afetar genes críticos para o desenvolvimento do cérebro.

  • Convergência de Vias Neurais: Um estudo marcante de 2026 liderado pela Universidade de Yale descobriu que, embora existam centenas de genes diferentes ligados ao autismo, eles convergem nos mesmos caminhos biológicos. Eles afetam principalmente a comunicação entre os neurônios (sinapses), a regulação de como outros genes se expressam e a função das mitocôndrias (as usinas de energia das células).

  • Carga Variável: Pesquisas de 2025 indicam que variantes genéticas raras e grandes tendem a estar associadas a quadros com maiores desafios de desenvolvimento, enquanto variantes comuns e pequenas aparecem mais em casos de autismo leve ou diagnosticados mais tarde.

2. Fatores Ambientais e Gestacionais

Os fatores ambientais não causam o autismo sozinhos; eles interagem com a predisposição genética do bebê, funcionando como gatilhos ou moduladores durante a gestação.

  • Idade Parental Avançada: A idade mais avançada do pai ou da mãe no momento da concepção está estatisticamente ligada a uma maior chance de mutações genéticas espontâneas.

  • Condições Metabólicas e Imunológicas da Mãe: Diabetes gestacional, obesidade severa ou distúrbios imunológicos e inflamatórios na gestação têm sido associados a um risco aumentado. O estresse extremo e traumas agudos durante a gravidez também são alvos de pesquisas recentes (como estudos da USP) devido ao impacto do cortisol no desenvolvimento fetal.

  • Exposição a Poluentes e Pesticidas: O contato materno com altos níveis de poluição do ar (especialmente no terceiro trimestre) e certos pesticidas agrícolas (como organofosforados) demonstra correlação com o aumento do risco.

  • Prematuridade Extrema: Bebês que nascem muito antes do tempo ou com peso muito abaixo do esperado, especialmente se passarem por períodos de privação de oxigênio (anóxia), têm maior incidência de TEA.

3. Mecanismos Biológicos Emergentes

  • Poda Sináptica Alterada: Estudos em tecidos cerebrais mostram que o cérebro autista apresenta variações na "poda sináptica" — o processo natural onde o sistema nervoso elimina conexões neurais antigas ou desnecessárias para funcionar de forma mais eficiente. No autismo, essa limpeza pode ser menos ativa, gerando um excesso de conexões em certas áreas.

  • O Eixo Intestino-Cérebro: Uma linha forte de investigação avalia o impacto do microbioma intestinal. A disbiose (desequilíbrio bacteriano no intestino) é frequentemente encontrada em pessoas com TEA e parece modular a severidade de alguns traços e sintomas gastrointestinais associados.

O que a ciência descartou: Pesquisas globais recentes e revisões de autoridades de saúde em 2025 limparam o campo de hipóteses antigas. Foi reafirmado que não existe nenhuma ligação entre o autismo e o uso de paracetamol (Tylenol) na gravidez, tampouco com vacinas ou dietas específicas.

O autismo é hoje compreendido como uma coleção de diferentes trajetórias biológicas que levam a características clínicas parecidas, o que explica por que o espectro é tão vasto e variado.